Fotos da nossa visita à GNR

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Visita à Cercica

No passado dia vinte e sete de Janeiro de dois mil e onze, quinta-feira à tarde, tivemos oportunidade de ter uma reunião de esclarecimento na Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Cascais.
Esta visita teve como objectivo o contacto com profissionais envolvidos para um melhor entendimento do funcionamento e dos resultados da Terapia Assistida por Cães.
Tudo começou às 14h30 quando, finalmente, chegámos à Cercica e fomos, gentilmente, encaminhadas para a sala de espera. O encontro com a responsável pela Cinoterapia, a Doutora Joana Bettencourt, estava marcado para as 15h00, que, à hora marcada, nos conduziu para a sala de reuniões. Após uma breve apresentação entraram na sala a Doutora Graça Costa, terapeuta ocupacional, e a Senhora Patrícia Rodrigues, responsável pelo tratamento dos cães.
A Cinoterapia é uma prática que recorre ao cão como co-terapeuta. O cão é, deste modo, um instrumento que estimula e facilita a reabilitação global do paciente.
A Cercica começou no ano de 1976, devido à necessidade de prestar educação a uma parte da população que não encontrava resposta no Ensino Regular. Deste modo, «a Cercica – Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos inadaptados de Cascais - tem por missão a solidariedade social e o desenvolvimento de actividades de apoio em diferentes domínios de intervenção, dirigidos a indivíduos com deficiência mental ou com problemas de inserção socioprofissional, visando a defesa dos seus direitos individuais, de pessoa e de cidadania.», segundo o site da Cercica.
A Cinoterapia na Cercica teve início com a apresentação de um projecto ao antigo Secretariado Nacional de Reabilitação, actual Instituto Nacional para a Reabilitação, em 2001. Apesar de ser um projecto simples e pouco estruturado, nasceu o interesse pela prática de Cinoterapia, pelo que começou a ser orientado um Curso de Canicultura (formação profissional), pela Senhora Patrícia Rodrigues, numa antiga garagem adaptada a canil.
Contudo, os cães que a Cercica possuía não eram os indicados para a prática da Terapia Assistida por Animais, devido à sua idade. Então, uma associação americana ofereceu uma cadela Collie, a Cica. A Cica era uma cadela treinada e vocacionada para sensibilização escolar, nomeadamente para a prevenção de incêndios direccionada para crianças.
Deste modo, a Doutora Joana Bettencourt, a Senhora Patrícia Rodrigues e a Doutora Graça Costa receberam formação por parte da Bocalán e os cães eram treinados por um antigo colaborador de um Centro de Educação Canina, a Educacão, de modo a treinar actividades relacionadas com a obediência, como o sentar, o estar quietos, …
Inicialmente, as sessões de Agility eram na Quinta da Marinha, três vezes por semana, nomeadamente às segundas, quartas e sextas-feiras, pois tenta-se que seja uma actividade mantida regularmente. Durante os cursos de Agility existem percursos diferentes, pois estas actividades são abordadas de forma a proporcionar diferentes mobilidades. Actualmente, é realizado duas vezes por semana e tem lugar em Alvide.
Além disso, também tiveram outras ofertas de particulares, nomeadamente dois cachorros, um Labrador Preto, o Black, e um Golden Retriever, a Tocha. O Senhor Carlos Mendes também ofereceu uma cadela, uma Labradora Preta, a Dicky, e foi emprestado um cão de água treinado e utilizado em anúncios, o Chico.
Durante algum tempo, tiveram uma parceria com uma loja de cuidados de animais, a MegaPet, onde aprendiam a cuidar e a tratar os animais e usavam o espaço. Para além do mais, também possuem uma parceria com a Associação Ânimas, principalmente na parte da formação e do treino dos cães, e a Doutora Graça Costa e a Senhora Patrícia Rodrigues tiraram cursos de Terapia Assistida por Animais. Em Outubro de 2006, foi mesmo organizado um seminário, juntamente com a Fundação Bocalán. Deste modo, todo este processo foi uma aprendizagem em conjunto, sendo que a Doutora Joana Bettencourt referiu mesmo que «Aprendíamos todos».
Os cachorros que são escolhidos para realizar as sessões de Cinoterapia são seleccionados pelo seu carácter, sendo que na escolha do cão, joga-se com as características do grupo, tentando escolher diferentes cães, de modo a proporcionar novas sensações. A saúde dos animais é fundamental, tanto vacinas, idas ao veterinário, … As raças mais utilizadas são Labradores, Golden Retriever ou Collie, por causa do carácter e da facilidade em aprender. Assim, os cães escolhidos aprendem com mais facilidade e são muito dóceis, treináveis, versáteis, ágeis e gostam de interagir e aprender. Além disso, os cães não vêem as nossas imperfeições e não nos julgam. Durante a criação e a selecção das ninhadas, a beleza não interessa, mas sim o carácter e o temperamento. Contudo, existem excepções, sendo que nem todos são indicados. Um exemplo era um cão que era muito macho alfa e, deste modo, não interagia e reagia bem com os outros cães.
A população alvo que costuma recorrer à Cercica para realizar sessões de Cinoterapia são, maioritariamente, doentes mentais. As pessoas escolhidas para esta actividade têm de ter o comportamento correcto, têm de gostar de animais e tem de ser benéfico e proveitoso. Apesar de os benefícios serem medidos caso a caso, no geral, é um estímulo calmante.
Durante as sessões estão presentes e envolvidos dois profissionais, nomeadamente um que trabalha com o paciente (psicólogo ou terapeuta) e um que trabalha com o animal. Além disso, o cão também está presente, funcionando como co-terapeuta e colaborador. Também existem voluntários envolvidos neste processo.
Apesar de, actualmente, estar a ser construído um espaço próprio para a Cinoterapia, ainda se utiliza uma sala que tem de ser partilhada, sendo que não está sempre disponível e que tem horários complicados. Por vezes, também são usados espaços exteriores, principalmente para caminhadas e actividades ao ar livre.
As sessões não devem ser isoladas, sendo que têm resultados quando estão interligadas a outros tratamentos e/ou terapias. Deste modo, a Terapia Assistida por Animais, inclusive a Cinoterapia, é apenas mais um instrumento para trabalhar com os pacientes, instrumento esse que tem a vantagem de ser algo novo e que provoca satisfação nos pacientes. Deste modo, as melhorias a curto prazo são difíceis, só existindo praticamente o prazer e a satisfação de estar com o animal. Relativamente aos benefícios a longo prazo, a Cinoterapia aumenta a amplitude dos movimentos, o estabelecimento de contacto e o aumento da concentração e da atenção.
Um dos casos reais mais marcante foi um rapaz americano que possuía deformações a nível da anca e que, deste modo, tinha dores frequentes e tornava-se difícil aguentar as sessões de fisioterapia. Com a ajuda do cão, isso tornou-se possível, sendo que realizava as sessões deitado e agarrado ao cão, permitindo a concretização dos exercícios. Portanto, o cão foi um contacto positivo que facilitou as sessões de fisioterapia, pois ao abraçar o animal, o rapaz sentia prazer e esquecia-se da sensação de dor e de sofrimento. Uma das primeiras palavras que disse em português foi cão.
Pretende-se que as sessões de Cinoterapia, quer sejam realizadas individualmente ou em grupo, sejam algo contínuo, pois ajudam a aprender de forma lúdica. Deste modo, estas realizam-se uma vez por semana, sendo que «têm todos um apoio semanal». Quando as sessões são individuais, as sessões duram no máximo trinta minutos enquanto que quando são em grupo são com mais de sete pessoas e têm, no máximo, uma duração de quarenta e cinco minuto, devido à capacidade de atenção. Por sua vez, as sessões de Agility duram, aproximadamente, duas horas.
Durante as sessões, os pacientes têm diversas tarefas, como escolher um cão, dar-lhe de beber e comer e fazer treino de obediência durante uns minutos.
Como cada paciente tem objectivos próprios é estabelecido um plano individual com uma série de objectivos gerais que são monitorizados e que estão de acordo com as suas capacidades, características e necessidades. Alguns exercícios postos em prática durante as sessões são: atirar bolas para o cão ir apanhar, fazer caminhadas, escovar e alimentar o animal e, realizar sequências de modo a trabalhar a memória para que se lembram do nome do cão, do que fizeram, do material que utilizaram, … Para além do mais, também fazem festinhas e dão biscoitos aos animais usados.
Quando os pacientes estabelecem o primeiro contacto com o animal, alguns demonstram medo, receio e cautela enquanto outros são destemidos e desinibidos. De um modo geral, as reacções são positivas, sendo que quando não podem ir às sessões, por motivos de doença, por exemplo, se sentem tristes e chateados. Os indivíduos que não têm capacidade de verbalizar, é possível notar a satisfação e o prazer através do olhar e dos sorrisos.
Através da visita à Cercica compreendemos o papel fundamental do cão na vida das pessoas com necessidades especiais, pois tem um papel de cúmplice, companheiro e parceiro, sendo que estabelece um ambiente de cumplicidade e intimidade onde tolera e aceita tudo, não faz juízos de valor e funciona como uma figura tranquilizante. Assim, com o auxílio da Cinoterapia tenta-se melhorar o que em princípio é para toda a vida, pois são mecanismos para os pacientes aprenderem a viver a vida de outra maneira e a alcançarem os sonhos. Portanto, tenta-se «minimizar ao máximo as incapacidades que eles têm», «desvalorizando as incapacidades e aproveitando ao máximo as capacidades e as potencialidades», como foi referido pelas profissionais envolvidas nas sessões de Cinoterapia.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Visita à Guarda Nacional Republicana

No passado dia vinte de Janeiro de dois mil e onze, quinta-feira à tarde, tivemos a oportunidade de assistir às sessões de Hipoterapia na Guarda Nacional Republicana, na Ajuda.
Esta visita teve como objectivo a observação das sessões para um melhor entendimento do seu funcionamento, o contacto com os profissionais envolvidos e a análise de diversos casos reais.
Tudo começou às 14h15 quando, finalmente, chegámos à Unidade de Segurança e Honras de Estado e fomos gentilmente acompanhadas para o picadeiro do 4º Esquadrão. Nesse momento, as sessões já estavam em andamento, dado que o horário das mesmas é das 14h às 16h, sendo dirigida às terças-feiras para instituições e às quintas-feiras para particulares e para uma instituição que não tem disponibilidade nos outros dias.
A Hipoterapia é uma prática que recorre ao cavalo como co-terapeuta. O corpo humano associa o seu movimento ao movimento do cavalo e este andamento facilita na execução dos exercícios. Tendo em conta esta base, verificámos as aptidões das éguas seleccionadas para esta terapia (a Quimera, a Invicta e a Galdéria). De facto, os cavalos são escolhidos pela sua personalidade e pelos seus andamentos, e não pela sua raça. Os cavalos terapeutas têm de ser pacientes e calmos, de modo a poder-se realizar todos os exercícios propostos sobre eles. Contudo, esta unidade possui apenas cavalos castanhos (possuem o pêlo castanho, mas as crinas e o cabo pretos) e lazões (quer o pêlo, quer as crinas e o cabo são castanhos). Outra particularidade é o tratamento dos cavalos, a nível da limpeza, alimentação e cuidados variados. «O cavalo é como um cão, se lhe fizermos mimos, eles trata-nos bem», disse uma militar da GNR. Assim, os alunos e os instrutores mimam os cavalos com festinhas e cenourinhas.
Os exercícios são escolhidos dependendo do problema e das limitações dos alunos. Durante a nossa visita observámos diferentes exercícios como o levantar das mãos alternadamente, o deitar-se (de costas) em cima do cavalo, bater palmas, rodar os braços, executar alongamentos dinâmicos dos membros superiores, colocar as mãos em cima da cabeça, volta ao mundo (um exercício em que o aluno tem de dar uma volta em cima do cavalo, sentando-se de lado, virado para trás, de lado e novamente sentado correctamente virado para a frente), … Para estes exercícios é importante que os alunos mantenham uma postura correcta. Todos estes exercícios são feitos de modo a que o aluno ganhe mais confiança, aumente o seu nível de concentração e de coordenação dos movimentos. Para os casos mais complicados espera-se que os alunos consigam relaxar os membros, que fiquem mais calmos e que tirem proveito lúdico das sessões.
Quanto mais novos forem os alunos maior é a probabilidade de atingir resultados. No entanto, durante a nossa visita foi possível observar uma vasta classe de alunos. O paciente mais velho tem 48 anos. Ao longo das sessões observámos pacientes com autismo, deficiências motoras e com Trissomia 21. Na verdade, tivemos a oportunidade de contactar directamente com alguns alunos, assim como, com os seus pais e acompanhantes. Um deles, um rapaz alegre chamado Ricardo, com 9 anos, tem dificuldade em falar, não se expressando muito bem. Contudo, nunca se esquece dos dias da Hipoterapia e canta enquanto executa os exercícios em cima do cavalo. No início das sessões tinha medo, mas agora dá “pulos de alegria”. Outra aluna é a Anabela, tem 43 anos e sofre de Trissomia 21, e tem a particularidade de chamar a todos os animais de cão, embora consiga imitar o som de cada um dos animais e, assim, consegue distingui-los. Tem medo do cão (cão), mas também nunca se esquece dos dias em que têm “cão” (cavalo = sessão de Hipoterapia). Segundo a mãe, a Anabela começou as sessões de Hipoterapia há 10 anos, e notam-se pequenas mudanças: encontra-se mais alegre, consegue expressar-se melhor, nota-se uma grande diferença na mentalidade e uma maior concentração. No entanto, a mãe acredita que se tivesse começado em pequenina os resultados seriam melhores.
No final, ainda tivemos a possibilidade de dar duas voltas de cavalo pelo picadeiro e experimentar alguns dos exercícios propostos pelos militares.
De facto, foi uma tarde muito inspiradora, pois todos os alunos, com os seus problemas, deixam o picadeiro com grandes sorrisos, que contagiam a equipa responsável das sessões e todo o grupo Terapia Animali.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Qual é o teu animal preferido?

Hoje, Dia dos Namorados, abrimos uma votação para o animal mais amado do Mundo!
O sortudo terá a honra de ser o próximo a ter um artigo no nosso blog.
Dedica este dia ao teu animal e vota já!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Animais terapêuticos e terapias associadas


Que animais podem ser? Todos os animais que conseguem entrar em contacto com os seres humanos, sem os colocar em perigo, podem ser animais terapêuticos. Assim, cães, cavalos, golfinhos, gatos, coelhos, tartarugas, pássaros, furões, hamsters, peixes, iguanas, … podem ser óptimos animais utilizados na Terapia Assistida por Animais. Contudo, o cão é, provavelmente, o principal animal utilizado nesta terapia, dado que é “o melhor amigo do homem”.

             Terapias Assistidas por Animais mais usuais e respectivos animais:
1.   Cavalos (Equitação com Fins Terapêuticos)
2.   Burros (Asinoterapia)
3.   Cães (Cinoterapia)
4.   Gatos (Gatoterapia)
5.   Golfinhos (Delfinoterapia)
6.   Peixes
7.   Animais de pequeno porte (coelhos, hamsters, porquinhos-da-índia, aves, …)

Desvantagens da Terapia Assistida por Animais

Apesar de esta terapia ser útil no tratamento de diversas patologias e distúrbios, também apresenta algumas desvantagens, nomeadamente o facto de: 
  • Não chegar a toda a população necessitada;
  • Não se ter a certeza dos resultados;
  • Ainda não se encontrar muito desenvolvida nem divulgada;
  • Não ser acessível a toda a população.

Vantagens da Terapia Assistida por Animais

Os animais aceitam-nos pelo nosso verdadeiro interior e pela pessoa que somos e não a que queremos ser, não nos julgando pela aparência, pela roupa, pelo facto de possuirmos uma deficiência, pela beleza exterior ou por possuirmos bens materiais interessantes e por sermos os mais populares da nossa escola, ao contrário do que acontece com a maioria dos humanos.
Existem vários estudos que demonstram que os animais podem ajudar os seres humanos com as dificuldades da vida, trazendo suporte e melhoria à nossa saúde e à nossa própria auto-estima. Logo, os animais “tocam” na maioria das áreas presentes nas nossas vidas e invocam diferentes sentimentos, nomeadamente o amor, a compaixão, a felicidade, o ódio, o medo e a rejeição.
Os animais são poderosos aliados para as pessoas que possuem necessidades especiais, sendo que têm a capacidade de gerar mudanças no processo de desenvolvimento e aprendizagem.
Com o decorrer da evolução, têm surgido provas científicas que revelam a importância da interacção entre o Homem e o Animal nas terapias direccionadas aos diversos tipos de diagnósticos e problemas físicos, mentais e/ou sociais. Assim, algumas das vantagens da Terapia Assistida por Animais são o facto de:
  1. Se destinar a todas as faixas etárias;
  2. Existir a possibilidade de se recorrer a diversos animais, que são catalisadores de comunicação;
  3. Contribuir para a aquisição de sentimentos de conforto, bem-estar e auto-estima, pois uma parte da recuperação dos pacientes passa pelo bem-estar psicológico;
  4. Oferecer momentos de pura diversão e brincadeira com o animal, ao mesmo tempo que tem um efeito terapêutico;
  5. Permitir a estimulação mental, emocional e física;
  6. Estimular a memória e a atenção;
  7. Permitir a aprendizagem de comportamentos diários com o tratamento de um animal, como a limpeza, a preparação dos alimentos, a arrumação, e a responsabilidade;
  8. Manter os utentes ocupados, pelo que é um foco de atenção;
  9. Permitir o contacto, a troca e a promoção de afectos, aspectos essenciais em terapia;
  10. Desenvolver uma acção anti-depressiva e calmante, o que pode reduzir o uso de medicamentos;
  11. Diminuir a pressão sanguínea, a ansiedade, a pressão cardíaca e o stress;
  12. Melhorar o sistema imunológico e a capacidade motora.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Fala connosco!


Olá! =)

Gostaríamos que partilhassem connosco a vossa opinião acerca deste blog e deste tema. Que situações gostariam de ver desenvolvidas; que sugestões têm para o nosso projecto; dúvidas; alguns casos que conheçam e queiram partilhar...

Também podes enviar sugestões, dúvidas ou simplesmente falar connosco enviando-nos um e-mail para: terapianimali@gmail.com.

Obrigada a todos,
Contamos convosco!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Como deve ser um animal terapeuta?

A Terapia Assistida por Animais trata-se de um processo terapêutico no qual o animal é parte integrante do tratamento, actuando como uma influência motivadora que visa melhorar a qualidade da terapia, sempre sob a supervisão e orientação de um técnico qualificado ou do dono.
Um animal de terapia permite a recuperação de traumas ou auxilia na aprendizagem, devido às suas características comportamentais e/ou morfológicas, aliadas a um treino específico.
Assim, um animal terapeuta deve ser calmo, afável e inspirar confiança em quem vai trabalhar com ele. Para além do mais, deve manter-se sossegado perante situações novas, movimentos bruscos e barulho, e sustentar o olhar das pessoas, bem como, gostar que lhe façam festas, o abracem e o toquem.

No entanto, o principal requisito para ser escolhido é ser saudável e ter as vacinas em dia, ser sociável perante pessoas estranhas e saber conviver com outros animais sem quaisquer problemas.
Portanto, um animal que fuja, rosne, demonstre impaciência ou seja nervoso não pode ser utilizado para auxiliar na Terapia Assistida por Animais, pelo que se não interage, não pode ajudar ninguém. Deste modo, nem todos os animais podem ser animais de terapia.

A quem se destina?

A Terapia Assistida por Animais destina-se a todas as pessoas, desde crianças, jovens, adultos e idosos. Deste modo, os seus campos de aplicação incluem-se em terapias de reabilitação em pacientes portadores de deficiências físicas, com perturbações psicológicas ou comportamentais, bem como, em pessoas hospitalizadas e idosos em lares. Além disso, esta técnica também é utilizada em crianças e adultos com problemas de aprendizagem, com deficiências mentais ou com problemas sociais e de adaptação.

Existem diversas doenças que recorrem à Terapia Assistida por Animais, nomeadamente, deficiências visuais e auditivas, Síndrome de Down, paralisia cerebral, deficiências mentais, distúrbios de aprendizagem, psicoses, autismo, depressão e, ainda, em crianças com atrasos no desenvolvimento.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Quais os objectivos desta terapia?


Esta terapia alternativa tem como finalidade promover melhorias no funcionamento físico (mobilidade, força e resistência), psíquico, social, comportamental, emocional e cognitivo dos pacientes, ou seja, visa a promoção da «(...) saúde física, social, emocional e/ou funções cognitivas.» (Dotti, 2005).
Deste modo, visa melhorar a qualidade de vida e o bem-estar dos indivíduos que beneficiam da Terapia Assistida por Animais, assim como melhorar a sua integridade, inseri-los ou mantê-los na sociedade e contribuir para o respectivo processo de recuperação, através do trabalho de áreas que consistem em cognição e conhecimento, exercícios físicos, comunicação e vida diária.
Com esta intervenção também se procura oferecer diversos estímulos aos pacientes (tácteis, visuais, olfactivos, auditivos, …); trabalhar as questões das regras e dos limites (por exemplo, para hiperactivos); desenvolver a auto-estima e a autoconfiança; trabalhar hábitos de higiene pessoal; promover a socialização, a interacção e as relações interpessoais, fortalecendo os laços sociais; estimular a autonomia e a expressão de sentimentos; proporcionar um equilíbrio emocional e corporal ao paciente; melhorar a memória e a conduta social; estimular a capacidade de motivação, atenção e concentração; promover a diminuição da sensação de solidão e inutilidade; evitar e contribuir para o tratamento da depressão; contribuir para a diminuição do foco da dor; fomentar o interesse pela terapia, tratamento ou reabilitação; favorecer a regulação dos batimentos cardíacos; permitir a diminuição ou o controlo da pressão arterial; promover a reorganização do quotidiano do paciente, aliviando a monotonia do dia-a-dia; reforçar o contacto físico; melhorar os aspectos sensoriais; diminuir os sintomas de stress e ansiedade; motivar para a prática de actividades educacionais ou desportivas; melhorar o sistema imunológico; promover o relaxamento e a rigidez do paciente; diminuir comportamentos e atitudes de manipulação; desenvolver o equilíbrio psico-emocional e a estruturação temporal; melhorar a percepção que o paciente tem de si e dos outros, aprendendo a tratar as pessoas e os animais com sensibilidade; facilitar a comunicação, o vínculo e a empatia com o terapeuta; melhorar as capacidades cognitivas, motoras e sensoriais; desenvolver e fortalecer a força muscular e as funções psicomotoras; facilitar a orientação espacial e a organização do esquema corporal do praticante; promover a confiança no outro, aumentando a segurança pessoal; habilitar o indivíduo a obter um maior conhecimento dele próprio e do ambiente que o rodeia; proporcionar ao paciente um ambiente propício para a estimulação auditiva, académica e táctil, assim como promover o desenvolvimento de aptidões e potencialidades; introduzir e reforçar aprendizagens pedagógicas; integrar as famílias, de forma a possibilitar a troca de experiências, o fortalecimento dos laços familiares e sociais, e providenciar o atingir do desempenho funcional e da satisfação na realização de actividades diárias presentes no quotidiano do paciente.
Para além disso, a Terapia Assistida por Animais também traz imensos benefícios aos idosos, consistindo ainda na manutenção de aspectos emocionais, físicos e mentais e na conservação do respeito pelo idoso.
Deste modo, as pessoas que usufruem desta prática conseguem viver o presente com maior motivação e intensidade.

Era uma vez...

A Terapia Assistida por Animais teve origem no ano de 1792, em Inglaterra, onde uma instituição dirigida a indivíduos com diagnósticos de deficiência mental implementou um programa específico e alternativo de comportamento. Neste foram utilizados animais provenientes de uma quinta, sendo que serviram como um reforço positivo.
Posteriormente, esta terapia foi usada, em 1867, em pacientes da ala psiquiátrica de uma instituição alemã. No entanto, foi no ano de 1942, que a Terapia Assistida por Animais passou a ter um maior destaque, dado que foi nessa altura que os terapeutas descobriram os benefícios desta terapia, nomeadamente em pacientes com perturbações mentais e físicas.
Além disso, também surgiram as primeiras publicações relativas a observações científicas, nos anos 60, nos Estados Unidos da América, desenvolvidas pelos psiquiatras americanos Boris Levinson e Sam e Elizabeth Corson. Estas mencionavam os benefícios da Terapia Assistida por Animais quando aplicada a pacientes de alas psiquiátricas. Contudo, foi nos anos 80 que apareceram os estudos científicos que comprovavam os benefícios e a importância da interacção entre o Homem e o Animal.
Em 1989, Alan Etin comprovou a eficácia desta terapia, através de relatos e provas provenientes de estudos científicos realizados. Portanto, este psicólogo americano estudou e avaliou os efeitos dos animais em situações familiares, tendo concluído que o animal de estimação funciona como um reflexo das emoções que não são expressas por parte dos membros da família.
Para além do mais, surgiu mais uma prova dos benefícios da Terapia Assistida por Animais, nomeadamente um estudo realizado no ano de 1997 onde se avaliaram e acompanharam 2805 pessoas durante um período de 89 meses, sendo que as mulheres que tinham animais de estimação e tomavam anti-depressivos necessitavam de doses reduzidas comparativamente com as pacientes que não possuíam animais.
A nível internacional, existem diversas organizações essenciais para a realização de estudos acerca da Terapia Assistida por Animais, como a Delta Society nos Estados Unidos da América e a Society for Companion Animal Studies em Inglaterra. Relativamente a Portugal, esta terapia passa a usufruir e a apresentar, uma maior credibilidade terapêutica, sendo aplicada no acompanhamento, na recuperação e no tratamento de crianças, jovens, adultos e idosos com diagnósticos concernentes a diversos diagnósticos, assim como no apoio a reclusos em programas de reabilitação.

O que é a TAA?

Mas o que é afinal a terapia? Este conceito vem de therapeuen, palavra grega que significa cura, pressupondo o tratamento de uma determinada doença, através de uma medicina tradicional ou alternativa.

E a TAA? A Terapia Assistida por Animais consiste num processo de intervenção terapêutica ou num programa de apoio em que se recorre a animais de forma a desenvolver o tratamento dos seus pacientes, nomeadamente a recuperação de doentes com patologias físicas, psicológicas, sociais ou mentais. Assim, utiliza o animal (cães, gatos, coelhos, pássaros, peixes, tartarugas, cavalos, burros, golfinhos, …) como objecto de terapia.
As sessões são dirigidas e orientadas por profissionais da área da saúde (fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, …) que estabelecem e definem, previamente, objectivos específicos para os pacientes. Portanto, as sessões devem ser monitorizadas, documentadas e avaliadas.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Dia Mundial do Animal

           No passado dia 04 de Outubro comemorou-se o Dia Mundial do Animal. Sendo que o nosso projecto é relacionado com estes seres vivos, pensámos que seria interessante publicar um artigo sobre este tema.

O Dia Mundial do Animal foi declarado no dia da morte de São Francisco de Assis, em 1929, no Congresso de Protecção Animal em Viena, Áustria.
Assim, o Dia Mundial do Animal comemora-se no dia 04 de Outubro e é celebrado desde 1930 em mais de 45 países, em memória de São Francisco de Assis, santo padroeiro e protector dos animais.
Segundo o Gabinete do Partido Veterinário da Câmara Municipal do Barreiro, o Dia Mundial do Animal serve, para relembrar a todos os seres humanos que «cada vez mais e pelos mais diversos motivos, muitos animais são abandonados, maltratados, esquecidos e desprezados. Deste modo, cada vez mais, e por várias razões como a compaixão, amizade, lealdade e solidariedade, somos nós, que deveremos acarinha-los, aceitá-los e respeitá-los, como animais que são.»

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Quem Somos?

            Olá a todos! Hoje é a primeira vez que escrevemos no nosso blog e prometemos-vos que não será a única ao longo do ano lectivo. Somos a Alexandra, a Beatriz, a Joana e a Valentina, quatro alunas do 12ºA da Escola Salesiana de Manique.


O nosso projecto tem como tema a Terapia Assistida por Animais e é intitulado Terapia Animali. Durante a realização do mesmo pretendemos adquirir os conhecimentos e a realidade sobre esta temática para, assim, os podermos transmitir a outras pessoas.

Assim, temos como objectivos específicos:
·     Pesquisar os diversos tipos de terapia existentes em Portugal e no Mundo;
·     Entender o objectivo e o funcionamento da Terapia Assistida por Animais;
·     Conhecer as vantagens e desvantagens desta prática;
·     Conhecer as características dos animais utilizados nesta terapia, assim como as raças específicas para determinadas doenças;
·     Investigar locais onde esta terapia seja exercida;
·     Entrevistar casos reais e verificar os seus progressos;
·     Contactar profissionais envolvidos nesta área;
·     Assistir a diversas sessões.

Deste modo, semanalmente, este será o nosso espaço de partilha e união. Aqui daremos a conhecer as nossas pesquisas e todas as experiências que formos vivendo no decorrer deste projecto.